sábado, 25 de dezembro de 2010

De volta às palavras!

Há 7 longos anos, incrível como o tempo é mesmo relativo e a passagem dele inexorável ...... Como é possível lembrar de coisas da infância e só lembrar de coisas com menos de 5 anos por estarem publicadas em outro blog ..... Realmente preciso de um diário! Ou o que será de mim quando o Alzheimer chegar de vez ....rs....

Estava aqui pensando, o Alzheimer, o Boa-noite Cinderela ... existiram de fato? Sempre existiram e não tinham nome? Ou é apenas uma criação da modernidade para justificar algumas coisas? Teria o Rivotril o poder de aplacar a tristeza, a frustração ..... ou é apenas mais uma pilulazinha da felicidade? E o Viagra então? Haveria tanto poder numa simples e pequena porção de corante azul? .....

Sim, estou cética, cética e descrente. Essa minha mania de observar as pessoas, de analisar comportamentos, de juntar relatos e histórias, me fez uma pessoa que, além do sexto sentido aguçadíssimo, conseguisse prever as atitudes das pessoas muito antes delas acontecerem. Todos, inclusive, nos tornamos excessivamente previsíveis!

Ainda tentei, durante bastante tempo inclusive, fazer de conta que não via, que não percebia, ou pior, acreditava, do alto da minha onipotência infantil, que seria capaz de mudar, de transformar, sapos em príncipes, coleguismo em paixão, amizade em amor eterno. E como doeu!

Já me perguntei: hoje sofro menos? Acho que não! Acho que só mudei o tempo da ação. Antes me frustrava no pós, agora, no pré! Mas é frustração do mesmo jeito. Talvez tenha ganhado tempo, tempo real, de relógio, e dinheiro, ah certamente bastante dinheiro. Mas perdi em ilusão, em glamour, em expectativa!

E pensando em ilusão, me dei conta de que faz muito tempo que não tenho sonhos. Tenho tido e realizado desejos, mas não sonhos. Tudo o que desejo é palpável, realizável, com pouco ou nenhum esforço. A maioria material, embora eu não seja apegada a nada material, gosto da liberdade e do conforto que a matéria me proporciona, nos mais diversos formatos, do carro à banheira, da amêndoa à coca-cola.

Pois é, tenho um único sonho, que já foi desejo, já foi cisma, já foi birra .... Quem me conhece de perto e profundamente sabe qual é! E curiosamente, de forma absolutamente proporcional ao meu desejo, meu humor, minha “exigência”, minha seletividade crescem também! Não consigo mais fazer de conta, inventar uma história, muiiiito menos acreditar que posso modificar qualquer outra.

E foi o tempo que eu encarava sala de espera para ter companhia!

Para tristeza de muitos virtuais, hoje eu me basto. Aliás, estou até a tampa de mim mesma!

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